De novo nada


Então, o outro poema traduzido do português para o português que fiz é um do Mané Bandeira. Ah, saudade dessa inconsequência juvenil...


Epígrafe


Nasci em bom berço. Criança,
Fui, como as tantas, feliz.
Veio o fado e, após a bonança,
Tirou de mim o que quis.

Um anjo sombrio do mundo
Meu peito em caixa vazia
Tornou ao correr de um segundo,
Estrondo de ventania.

Fez e desfez de mim: lama,
Pó e cinza, sem dó nem pena –
Que dor imensa!
....................E só em cena
Quedei, só com o peito em chama:

Queimou em gritos sem fim
No cerne desse amor torto...
E dessa brasa carmim
Restou este carvão morto.

— um pequeno carvão morto...


Manuel Bandeira (trad. Paulo Ferraz, 4/10/99)

Agora, o original:


Sou bem-nascido. Menino,
Fui, como os demais, feliz.
Depois, veio o mau destino
E fez de mim o que quis.

Veio o mau gênio da vida,
Rompeu em meu coração,
Levou tudo de vencida,
Rugia e como um furacão,

Turbou, partiu, abateu,
Queimou sem razão nem dó —
Ah, que dor!
.................Magoado e só,
— Só! — meu coração ardeu:

Ardeu em gritos dementes
Na sua paixão sombria...
E dessas horas ardentes
Ficou esta cinza fria.

— Esta pouca cinza fria.


Escrito por Paulo Ferraz às 01:18:37
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
Meu perfil


BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, PERDIZES, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese



Histórico


Votação
Dê uma nota para
meu blog



Outros sites
 Paulo Ferraz
 Ana Rüsche
 Weblivros
 Virna Teixeira
 Emilianas
 Fábio Aristimunho
 Ana Rüsche - Peixe de Aquário
 Elisa Buzzo
 Daniela Ramos
 Victor Del Franco
 Geraldo Vidigal
 Carol Marossi