
Escrito por Paulo Ferraz às 11:48:57
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Escrito por Paulo Ferraz às 13:09:32
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Escrito por Paulo Ferraz às 14:20:47
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Escrito por Paulo Ferraz às 10:22:45
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Escrito por Paulo Ferraz às 14:35:13
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Saiu na Folha de São Paulo de hoje que o Chile pretende aplicar sua lei antiterrorismo contra os Mapuches, povo que desde o tempo dos incas resiste em suas terras. Infelizmente aqui no Brasil conhecemos muito pouco sobre o caso, nós que temos povos que também lutam por sua autodeterminação, supostamente um dos nossos princípios constitucionais no âmbito do direito internacional. Enfim, não sou cientista político, até que me provem o contrário sou poeta, por isso é como poeta que faço a minha parte: Matias Catrileo Matias Catrileo. Nunca ouvimos esse nome. Matias Catrileo. Continuaremos a não ouvir esse nome. Matias Catrileo. Esqueçam esse nome. Matias Catrileo talvez nem seja um nome. Matias Catrileo não é ninguém. Matias Catrileo é um índio. Matias Catrileo não é um índio. Índios não existem. Índio bom é índio morto. Índio é coisa de branco. Matias Catrileo não é chileno. Matias Catrileo é mapuche. Não, mapuches não existem. Mapuches são chilenos. Não, mapuches não são chilenos. Mapuches são mapuches. Lautaro é mapuche. Lautaro é chileno. Lautaro não é Lautaro. Lautaro é maçom. Matias Catrileo não é Lautaro. Matias Catrileo não viu a cabeça de Lautaro na plaza de Armas de Santiago. Espanhóis e chilenos não gostam de mapuches. Mapuches ou araucanos. Matias Catrileo não lutou na Guerra do Arauco. Matias Catrileo não viu Caupolicán ser empalado. Não leiamos La araucana. Matias Catrileo não morreu na Guerra do Pacífico. Matias Catrileo não roubou o mar boliviano. Pablo Neruda não escreveu La Araucana. Pablo Neruda era comunista e chileno. Pablo Neruda era Ricardo Eliezer Neftalí Reyes Basoalto. Pablo Neruda não era mapuche. Matias Catrileo não votou em Allende. Matias Catrileo não matou Allende em 11 de setembro, nem cortou as mãos de Victor Jara. Matias Catrileo não apoiou Pinochet. Pinochet não leu La araucana. Pinochet matou Alberto Bachelet. Pinochet sabia que mapuches não existem. Mapuches não têm terra. Mapuches não tem cultura. Matias Catrileo não tem língua. Mapuches não bebem Concha y Toro. Matias Catrileo não votou em Ricardo Lagos. Allende, Pinochet e Lagos são chilenos. Matias Catrileo é Mapuche. Mapuches são terroristas. Autodeterminação dos povos não se aplica a mapuches. Mapuches são chilenos. Matias Catrileo é chileno. Gabriela Mistral não invadiu terras. Nicanor Parra não cursou agronomia. Gonzalo Rojas não teve 22 anos. Vicente Huidobro não levou um tiro pelas costas. Por la razón o la fuerza não é seu lema. É do Chile. É de Michelle Bachelet. Michelle Bachelet não foi morta por carabineros, nem pelos de Pinochet, nem pelos seus. Bachelet não disse: nosotros, los mapuches, somos sus indígenas; nosotros tenemos que ser los indígenas de Chile, nosotros no somos los "indígenas de chile", nosotros somos Mapuche, somos aparte, somos un pueblo que siempre ha estado aquí, que nació en esta tierra, y va a morir aquí, va morir peleando, aunque sea peleando, morir. Matias Catrileo o disse. Quem matou Matias que o embale.
Escrito por Paulo Ferraz às 17:46:24
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IV VERÃO DE POESIA - CURSOS
Como alguns já sabem, graças ao Thiago Ponce e a Ana Rüsche, no final de fevereiro (26 a 29) irei participar de uma série de cursos sobre a poesia brasileira de 60 para cá. A mim coube a nada fácil tarefa de apresentar a poesia de 2000 até hoje. Se por um lado há o obstáculo de não se ter o afastamento devido (nomes consolidados, vozes distintas, fortuna crítica etc.), por outro, há o benefício de poder contar com o auxílio dos próprios poetas. Resumindo a conversa, pois eu não frequento esse meu blog há muito tempo e perdi um pouco o jeito, quem puder entrar em contato comigo é só me mandar um e-mail para pauloferraz@hotmail.com, a minha idéia antes de mais nada é ter acesso ao maior número possível de novos autores, inlcuindo os da rede, pois se há um detalhe que não pode escapar ao se falar da poesia hoje é justamente a aparição da internet, dos sites pessoais, dos blogs.... bem, já estou entrando no curso. Obrigado pela ajuda de todos, assim vamos construindo esse curso conjuntamente de hoje até o dia 26/02
GERAÇÃO POESIA De terça a sexta, das 19 às 21hs (debate com o convidado será sempre às sextas- feiras) Vagas: 30; Taxa: R$ 10
Este curso, com a duração de 15 encontros, fará um passeio pelas décadas de 60, 70, 80, 90 e 00, com o intuito de entender o que se tem produzido nas mais recentes vanguardas da poesia a partir do legado deixado pelas gerações anteriores. A Casa das Rosas convidou 5 especialistas para falar sobre a poesia produzida em cada década e mais 5 autores representantes das gerações para conduzir um bate-papo com os alunos.
De 22 a 25 de janeiro – Geração 60, por Roberto Biceli. Autor convidado: Roberto Piva De 29 de janeiro a 1 de fevereiro – Geração 70, por Andréa Catropa. Autor convidado: Glauco Matoso De 12 a 15 de fevereiro – Geração 80, por Andréa Catropa. Autor convidado: a confirmar De 19 a 22 de fevereiro – Geração 90, por Cláudio Daniel. Autor convidado: Ricardo Aleixo De 26 a 29 de fevereiro – Geração 00, por Paulo Ferraz. Autor convidado: Ana Rüsche
Escrito por Paulo Ferraz às 23:01:21
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Alba Traduzione di Laura Minervini
Non la resistenza del vento, bensì la densità dell'acqua che avvolge, che prende il corpo, inoculando il veleno dell'attesa fino
a transformare pelle in pensiero, meno, in voci udite, altre mai dette. Ciò che si vede ha del sogno quasi nulla, ap-
pena il desiderio di averla di nuovo alla distanza delle dita; lei sarebbe vici- na, non fossero le grida del mondo e del corpo,
non fosse quell'oriente, non fosse quella musi- ca che viene dagli albe- ri, non fosse ascoltare il materasso, il lenzuolo e il cuscino: ritorno alla
realtà, di traverso nel letto ti reclama la fatica.
Escrito por Paulo Ferraz às 11:46:49
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De Paris
Se ainda houver alguém que visita esse blog, essa mensagem é so para dizer que este é meu ultimo dia de Paris (espero que ultimo dia com esse maldito teclado). Balanço? nao, daqui nao sairah um romance, nem um poeminha sequer. Baudelairianamente falando, andei por toda Paris, cruzei de ponta a ponta, por todos os meios de transportes (quer dizer, menos barco), falar que é bom, muito pouco, talvez no momento essa seja a minha maior impressao, que mais que lidar com Paris, tive que lidar comigo mesmo, quando a boca cala, sobra mais tempo para mente inventar coisas. Gostei da bagunça em meio a toda essa ordem meio classica, a toda a "razao", todo positivismo, Paris muda, disse Baudelaire, errou, Paris, quase nao muda, o que muda é a sua periferia, muito rica, com todas as contribuiçoes possiveis, na Paris que todos conhecemos, ouve-se um pouco de tudo, menos francês, qualquer dia da semana, qualquer hora tem sempre alguém com um guia e uma maquina fotografica na mao. Bom, era so isso, vou ficando por aqui, ainda ha algumas horas para flanar.
Escrito por Paulo Ferraz às 11:27:12
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NO CAFÉ PITTORESQUE
NO CAFÉ PITTORESQUE Funciona mais ou menos assim: Você. Você entra em cena, chega, escolhe uma mesa. Senta-se. Olha ao redor de si. Deixa um livro de poesia sobre a mesa. Abre. Os pés de um garçom em sua direção. Logo nos primeiros versos te interrompem. Boa noite. Boa noite, uma caneca de chope. O que você estava lendo mesmo? Você precisa de outra distração, poesia não serve. Lá está a caneca. Tente se concentrar nesta espuma, no mundo filtrado pelo vidro dourado úmido. Você até sente os primeiros goles, passa a língua sobre o lábio superior (o movimento é rápido, ninguém veria, mesmo que visse, não poria reparos), sim, o calor está insuportável, por isso essa mesa ao ar livre -- esqueci-me de dizer, que a mesa foi escolhida ao ar livre, você respondeu ao boa noite, mas na verdade é fim de tarde --, mas pensar no clima não é suficiente para te fazer esquecer que já era tempo de ela haver chegado. Começa então o ritual de olhar o vazio da entrada. (...................................... ) O vazio, o vazio, o vazio que se repete. Funciona mais ou menos assim, você olha como se quisesse materializá-la, já viu isso em filmes, por isso, mesmo inconscientemente, crê que sua vontade pode controlar a natureza, seus elementos e suas leis fazendo-a aparecer sob o batente. Assim você segue, não há um período regular, mas mal retira os olhos e os volta em seguida, no fundo você queria ter uma espécie de surpresa, que seus olhares se cruzassem ao acaso (como se cada um andasse em rota de colisão por ruas repletas de gente indiferente), que seu olhar interceptasse o sorrido dela logo no seu nascimento, capturando o primeiro movimento muscular, ali sob o batente, ficando maior a cada passo. Você queria que isso ocorresse agora, nesse instante. Tira os olhos. Outro chope e outros muitos olhares para o vão, o livro desapareceu. Agora um para o relógio, sim, o relógio pode se transformar numa ampulheta, contando o tempo ao avesso até o último grão quando então ela, não, não, ela não chegou, ou o telefone, olhe firme para ele, olhos nos olhos, tudo não passa de uma questão de autoridade, ele serve a você, então diga pausado (mas com firmeza): parla! Garçom, outro chope. Funciona mais ou menos assim, você relaxa, acende um cigarro, dá um trago profundo e expira, na verdade um suspiro, a fumaça e os pensamentos que se dissipam no ar. Então ela está sob o batente. Sorrindo, o primeiro movimento muscular, ficando maior. Funciona mais ou menos assim.
Escrito por Paulo Ferraz às 18:52:41
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Rosa, gatos e citações
Hoje vou citar, sim, citar, afinal acredito que citação é mais que demonstração de conhecimento, erudição; é identificação, é querer ter escrito algo, é fazer suas as palavras alheias (ah, claro, eu respeito o texto citado, mas não de modo reverencial, não, creio que é possível profaná-lo também, descolá-lo no tempo/espaço, fazer dele outro texto, mas deixemos isso para o Walter Benjamin explicar). Bom, vamos ao caso. Ganhei o "Caderno de Literatura Brasileira" com o Guimarães Rosa, nem entre no mérito da publicação, Guimarães não precisa de mim, no caso, eu é que preciso dele, a prova é essa passagem do seu diário. Roubo para a Chuchu e para a Mimo, e deixo a prova do crime para aqueles que quiserem roubar o texto para os seus gatos:
9.V.950, Levantei, sem despertador, só com a cortina aberta e o chamado de Ângela, às 8hs. 30'. O tempo que fiquei na cama, foi quase que voluntariamente. Me alegra que esteja mais quente, um pouco, hoje. Xizinha náo tinha querido comer. Fico bem um quarto de hora com ela no braço. Ronrona, ronrona. Ângela diz que ela teve saudades de mim, durante a noite. Levo-a à janela que dá para a rua: seu "cineminha". Leve, quentinha, cheirosa, é como um meu coração externo, contra meu peito. Sua curosidade infantil, para com os automáveis. Amorzinho. Felpudo. Sempre me interessa.
Escrito por Paulo Ferraz às 20:45:27
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Notas sobre a sombra
Um poema novo.Sobre a sombra. Acho que é isso, ainda estou pensando. Feito numa manhã de terça feira, ao observar o movimento dela, que nos permite conhecer os volumes, a profundidade, a distância. Enfim, uma tentativa de retirar a sombra que paira sobre a sombra, rs.
É como digo, das coisas a sombra guarda bem mais que a memória, pois, cria da reali- dade, traz os genes que lhe dão a forma da matriz (ao pai não puxou quase nada, de fato, ele lhe confere o talhe, interferindo sempre no seu desenvolvimento), dizem que é prima distante da água, embora de cores distintas, isso porque ambas se ajustam às superfícies, correm líquidas por outros corpos, todavia, enquanto a branca opta quedar-se em planos ou lançar-se em quedas, a negra tem o orgulho de ficar de pé (antes que o poema termine, peço que deite teus olhos sobre a minha sombra que te cobre e te envolve, tatuagem móvel que gravo em ti, anteci- pando o tato, o toque -- nunca desligue teu abajur).
Escrito por Paulo Ferraz às 14:45:01
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Então, o outro poema traduzido do português para o português que fiz é um do Mané Bandeira. Ah, saudade dessa inconsequência juvenil...
Epígrafe
Nasci em bom berço. Criança, Fui, como as tantas, feliz. Veio o fado e, após a bonança, Tirou de mim o que quis.
Um anjo sombrio do mundo Meu peito em caixa vazia Tornou ao correr de um segundo, Estrondo de ventania.
Fez e desfez de mim: lama, Pó e cinza, sem dó nem pena – Que dor imensa! ....................E só em cena Quedei, só com o peito em chama:
Queimou em gritos sem fim No cerne desse amor torto... E dessa brasa carmim Restou este carvão morto.
— um pequeno carvão morto...
Manuel Bandeira (trad. Paulo Ferraz, 4/10/99)
Agora, o original:
Sou bem-nascido. Menino, Fui, como os demais, feliz. Depois, veio o mau destino E fez de mim o que quis.
Veio o mau gênio da vida, Rompeu em meu coração, Levou tudo de vencida, Rugia e como um furacão,
Turbou, partiu, abateu, Queimou sem razão nem dó — Ah, que dor! .................Magoado e só, — Só! — meu coração ardeu:
Ardeu em gritos dementes Na sua paixão sombria... E dessas horas ardentes Ficou esta cinza fria.
— Esta pouca cinza fria.
Escrito por Paulo Ferraz às 01:18:37
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Estive pensando outro dia quando começou a minha inquietação que quase nada de novo há para ser feito em poesia, se é que algum dia teve, que na verdade glosamos os mesmos temas ao longo da história, variando a forma, o foco, o corte, olhando ora de telecópio ora de microscópio, dissecando ou implantando. Cheguei a uma espécie de resposta. Em algum momento de 1999 eu lia uma tradução do John Donne feita pelo Augusto de Campos e outra feita (creio) pelo Paulo Vizioli. Pensava comigo: é o mesmo poema, ambos estão trabalhando com a mesma língua, mas chegam a resultados distintos. Pensei, se é possível de uma língua para outra, seria então possível uma "tradução" do português para o português? qual o limite? até onde um poema permite permutas sem perder o que lhe faz realmente ser poesia (ora, quem faz poesia sabe muito bem que há uma hora que devemos dizer chega, pois se não sempre iremos modificá-lo)? Fiz dois exercício, mais um que ficou pela metade e algumas tentativas descatadas já de início. Deixo o primeiro deles, uma "tradução" que fiz do Nelson Ascher, e como toda tradução respeita alguns elementos poéticos, mas "fere" outros. Seguem:
MAIS UMA ABORDAGEM CRÍTICA
É público e notório que a mosca não se presta a nenhum papel - a priori o
símbolo exato do asco, com mérito e louvor, cabe a barata; fiasco
semântico, não evoca funções precisas como o fazem a aranha, a broca;
fruto inútil dos sete dias do labor de deus - pois lixo de toalete
com dotes de ave - até (vê- se que ao acaso) que existe, se bem que a um prazo breve;
no ar sua rota é um sofisma vazio que nada inspira com o qual insiste e cisma - a
seu estilo perfunctório - castrando a lira, já que repete o repertório.
UMA ABORDAGEM CRÍTICA
Como se sabe, a mosca não se presta a nenhuma figura, mesmo tosca,
nem secreta do bojo, como barata, a estrita metáfora do nojo,
também não mostra manhas de texto num exemplo preciso: traça, aranha;
fragmento de delito divino (inócuo, pois minúsculo), detrito
com asas por acaso, quase inexiste e, ao que parece, a curto prazo;
mesmo seu vôo, por muito retórico, tampouco serve a qualquer intuito
lirista e, se se enrosca na lira, ainda assim persiste em ser de mosca.
Escrito por Paulo Ferraz às 09:09:49
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JEUNE FILLE
Se vocês pensam que fui embora, eu enganei vocês, fingi que fui e voltei, oi, eu aqui outra vez... bom, pra quebrar o gelo com um musiquinha de carnaval adaptada, afinal, por aqui só há mesmo é cópia, versões e afins, nada de novo. Mas a despeito disso vou hoje postar um poema meu, é recente, já posso considerá-lo pós-denovonada, sério, não tô afim de criar limo muito menos virar diluidor de mim mesmo. Por isso, o poema que segue difere bastante do que costumo fazer, não vou explicar muito, é visível, isso mesmo: visível. Abraços
JEUNE FILLE AVEC DES CERISES AUX MAINS
SILÊNCIO ...........À mesa ...........do Café ...........Hemingway&Picasso ...................................[o mundo, ...........tamborilava........................................um pouco além] ...........a capa de ...........seu diário:
...........piano pianissimo..............................................[a caneta ......................................ESMALTADO.......................jazia ........................................................................ adjacente] ...........A melodia ...........via-se(ou-) ...........nas unhas ...................................................[platéia ...........arranhando..................................................de boca ...........o ar............................................................e olhos]
...........o mistério é saber quais palavras escreviam a cada nota DE CEREJAS
Escrito por Paulo Ferraz às 11:24:33
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Nunca escrevi diários, mas é como se os escrevesse
Nunca soube ao certo qual porção de individualidade deve o poeta pôr de si naquilo que escreve, quando o poema vira um diário ou quando o diário vira poesia? É certo que há depoimentos, cartas, conversas que são tão profundas, tão verdadeiras que nos arrebata, mas possivelmente nos arrebata porque é real, e há momentos em que o real, cru, sem mediações, nos leva prum poço escuro, nos arrasta por umas zonas abissais de nós mesmos que sempre evitamos. Nunca escrevi diários, mas é como se os escrevesse. No início, era mais claro que meus textos eram resultado de algumas angústias emocionais, coisa de quem começa a escapar da placenta da infância, pouco a pouco as angústias foram aumentando, em vez de diminuirem, deixaram de ser meramente emocionais e ganharam outros espaços da mente, estéticas, sociais, históricas e aí a minha poesia foi paulatinamente ganhando o lado de fora, mas um lado de fora que é sempre observado, filtrado, pensado pelo lado de dentro, a ponto de um e outro entrarem num mutualismo, criarem uma interdependência.
Nesse registro do "diário", gostaria de expor um poema que jamais foi visto por ninguém, permaneceu arquivado em meu computador por longos quatro anos e meio. Trata-se de um poema dedicado a minha avô, Dona Geny, que falecera naquele dia. Sensação estranha, pena que não me lembre dos meus sonhos, pois quando meu pai me ligou numa manhã de sábado ou domingo (escrevendo isso, me lembro de meu pai me acordar no dia do meu aniversário de sete anos dizendo: acorda, pois você verá seu avô hoje pela última vez), quando eu já estava acordado, quando por algum motivo eu já sabia da notícia, como se ela antes já houvesse me avisado. Enfim, qual o limite? até quando devemos nos amarrar nos mastros? ouvir as sereias assim é uma forma de manter-se firme, mas a verdadeira experiência não é nadar atrás delas?
VELA "and therefore I forbid my tears" (Hamlet, Shakespeare) para Genny Prado Ferraz (1918-2002)
Olhe-a: está em chamas
você a vê se desmanchar? sim, mas é a via do calor
(calor = vida)
Olhe-a: consumiu-se
nem parafina, nem cinza, nem chama ela se foi
Para isso queimou (viveu)? não, para a luz
— se não a vemos mais —
que continua viva
PS: acabei de encontrar um e-mail escrito à época do falecimento, está na mesma linha deste texto, enfim, como estamos falando de diários, vou deixá-lo público:
"minha vó morreu nessa madrugada, hoje sei lá porque acordei às seis da manhã e assim que levantei meu pai me ligou dando a péssima notíca. Estou muito triste, muito pela morte, e muito por não poder ir ao funeral, pois não tenho dinheiro para isso. Desculpe-me o tom. Abraços desse teu amigo que te quer bem, paulo (esse é um dos preços da distância, viver como um exilado em sua própria terra, agora, 14:50, minha vó deve estar sendo enterrada e não posso estar com meu pai, talvez por isso eu tenha sonhado com ela nessa noite, não me lembro como ou o quê, apenas sei que nessa madrugada acordei com ela na cabeça. Mais uma vez meu pai me impressionou, a primeira vez foi na morte de meu avô, no meu aniversário de 7 anos, ele não derramou uma lágrima, e agora ele me liga, com uma segurança que eu seria incapaz de ter, não sei como ele pode, como ser tão forte? eu ñ posso, eu não sou forte, tanto que agora estou péssimo, e hoje de manhã eu lia o Hamlet, e quando Laertes sabe da morte de Ofélia e diz "Too much of water hast thou, poour Ophelia, and therefore I forbid my tears. But yet it is our trick; nature her custom holds, let shame say what it will", chorei, por Ophelia, por Laertes, por minha avó, por meu pai, por mim.)
Escrito por Paulo Ferraz às 01:22:43
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Sobre esse quiprocó entre mim e mim mesmo na noite passada, houve um detalhe que omiti: como não costumo ser insone, em certo momento comecei a refeltir sobre a situação de querer dormir e não conseguir, pois é, esta parece ser uma característica minha, eu raramente desligo a chavinha da razão, então logo eu estava analisando a mim mesmo e a falta de sono, aquilo foi ficando estranho, pois de algum modo eu queria me desdobrar, queria naturalmente me envolver com a procura pelo sono, mas um "outro" eu ficava me analisando, isso, era como se aquela pessoa que fica atrás de nós no divã estivesse no meu quarto, mas os dois eram eu. Ah, « je est un autre », como dizia o Rimbaud, deve ser, deve ser, talvez seja essa razão de haver poetas! (um dia eu conto, quando com uns oito anos, na zona rural de Mato Grosso olhei ao redor de mim, vi o campo, fiquei sentindo o vento, ao lado de um grupo de moradores da região que não davam a mínima para o que viam, e então por um instante eu me vi separado deles... olha, já contei!). Enfim, saí da cama, e uma das razões foi que eu precisava pôr no papel algumas das minhas "interpretações" daquela situação. Isso virou um poema, acho que é o primeiro poema meu que posto aqui direto, sem mediação, mas como está no contexto, acho que vem bem a calhar. Só estou na dúvida quanto ao título, usei ALBA, como disse no post anterior, mas na verdade acho que deveria se chamar "in albis", ok, ok, esse latim jurídico é uma porcaria, mas ainda assim, acho que tem a ver. Digam:
Alba
Não a resistência do vento, mas sim a densidade da água que envolve, que agarra o corpo, inoculando o veneno da espera a-
té transformar pele em pensamento, menos, em vozes ouvidas, outras jamais ditas; o que se vê tem do sonho quase nada, a-
penas o desejo de tê-la outra vez à distância dos dedos, ela estaria próxi- ma, não fosse a grita do mundo e do corpo,
não fosse esse oriente, não fosse essa músi- ca que vem das árvo- res, não fosse ouvir do colchão, do lençol e do travesseiro: volta ao
real, ao invés do leito te reclama a lida.
Escrito por Paulo Ferraz às 22:59:28
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João Gilberto, Nicanor Parra, eu e você, na madrugada
Raramente tenho insônia. Algumas vezes simplesmente demoro um pouco mais para dormir, isso porque fico entretido com alguns pensamentos, fico desatando alguns nós feitos ao longo do dia, como um copydesk revejo, reedito e, quando satisfeito, caio no sono. Hoje, sei lá qual motivo (uma rápida saída para beber água), acordei no meio da madrugada, e nada de dormir (que inveja da Chuchu e da Mimo que dormiam, por sinal, elas só dormem), nada, ficava lá na cama rolando de um lado pra outro, me agarrando em algum fragmento de conversas, revivendo algumas cenas que me fazem bem, mas nada me serviu de lullaby, de berceuse, de acalanto. Bem, se não podemos vencer a insônia, façamos dessas poucas horas úteis (de repente me lembrei dos trovadores e suas "albas", "oh, a cotovia já cantou", risos). O dia já está quase nascendo, "Eu, você, nós dois já temos um passado meu amor/ Um violão guardado, aquela flor e outras mumunhas mais/ Eu, você, João, girando na vitrola sem parar/ E o mundo dissonante que nós dois/ Tentamos inventar Tentamos inventar Tentamos inventar/ Tentamos...", é, gente, isso é que é canção de ninar marmanjo, a voz e o violão do João. E que o Morfeu se ferre, ele que vá embalar quem precise dele! E na tentativa de manter a consciência, segue um poema do Nicanor Parra que acabei de encontrar (na verdade queria outro, li há poucos dias, mas não o encontro e não estou com o melhor humor do mundo para vasculhar sites), e que me fez lembrar um velho poema modernista que todos conhecemos. Bom dia para todos, olha o sol ali nascendo atrás da Monte Alegre:
EPITÁFIO
Eu sou Lucila Alcayaga aliás Gabriela Mistral primeiro ganhei o Nobel e depois o Nacional
apesar de que estou morta continuo me sentindo mal porque não me deram nunca o Prêmio Municipal.
EPITAFIO
Yo soy Lucila Alcayaga alias Gabriela Mistral primero me gané el Nobel y después el Nacional
a pesar de que estoy muerta me sigo sintiendo mal porque no me dieron nunca el Premio Municipal
Ah, encontrei o poema, segue mais uma tradução quente como pão de padaria!
É ESQUECIMENTO
Juro que não me recordo nem de seu nome, Mas morrerei chamando-a de Maria, Não por simples capricho de poeta: Por seu aspecto de praça de província. Tempos aqueles! eu um espantapássaros, Ela uma jovem pálida e sombria. Ao voltar uma tarde do Liceu Soube da sua morte imerecida, Novidade que me causou tal desengano Que derramei uma lágrima ao ouvi-la. Uma lágrima, sim, quem acreditaria! E olha que sou uma pessoa de energia. Se hei de conceder crédito ao dito Pelas pessoas que me trouxeram a notícia Devo crer, sem vacilar um ponto, Que morreu com meu nome nas pupilas, Feito que me surpreende, porque nunca Foi para mim outra coisa que uma amiga. Nunca tive com ela mais que simples Relações de estrita cortesia, Nada mais que palavras e palavras e uma ou outra menção de andorinhas. Eu a conheci em minha vila (de minha vila Só resta um punhado de cinzas), Mas jamais vi nela outro destino Que o de uma jovem triste e pensativa. Tanto foi assim que até cheguei a tratá-la Com o celeste nome de Maria, Circunstância que prova claramente A exatidão central de minha doutrina. Pode ser que uma vez a tenha beijado, Quem é que não beija suas amigas! Mas tenha claro que o fiz Sem me dar conta do que fazia. Não negarei, isso sim, que me agradava Sua imaterial e vaga companhia Que era como o espírito sereno que às flores domésticas anima. Não posso ocultar de modo algum A importância que teve seu sorriso Nem desvirtuar o favorável influxo que até nas mesmas pedras exercia. Juntemos, ainda, que da noite Foram seus olhos fonte fidedígna. Mas, apesar de tudo, é necessário Que compreendam que eu não a queria Senão com esse vago sentimento Com que a um parente enfermo se designa. Sem dúvida acontece, sem dúvida O que esta data ainda me maravilha, Esse inaudito e singular exemplo de morrer com meu nome nas pupilas, Ela, múltipla rosa imaculada, Ela que era uma lâmpada legítima. Tem razão, muita razão, a gente que segue se queixando noite e dia De que o mundo traidor em que vivemos Vale menos que roda furada: Muito mais nobre é uma tumba, Vale mais uma folha mofada, Nada é verdade, aqui nada permanece, Nem a cor do cristal com que se olha. Hoje é um dia azul de primavera, Creio que morrerei de poesia, Dessa famosa jovem melancólica Não recordo nem o nome que tinha. Só sei que passou por este mundo Como uma pomba fugitiva: Eu a esqueci sem querer, lentamente, Como a todas as coisas da vida.
ES OLVIDO
Juro que no recuerdo ni su nombre, Mas moriré llamándola María, No por simple capricho de poeta: Por su aspecto de plaza de provincia. ¡Tiempos aquellos!, yo un espantapájaros, Ella una joven pálida y sombría. Al volver una tarde del Liceo Supe de la su muerte inmerecida, Nueva que me causó tal desengaño Que derramé una lágrima al oírla. Una lágrima, sí, ¡quién lo creyera! Y eso que soy persona de energía. Si he de conceder crédito a lo dicho Por la gente que trajo la noticia Debo creer, sin vacilar un punto, Que murió con mi nombre en las pupilas, Hecho que me sorprende, porque nunca Fue para mí otra cosa que una amiga. Nunca tuve con ella más que simples Relaciones de estricta cortesía, Nada más que palabras y palabras Y una que otra mención de golondrinas. La conocí en mi pueblo (de mi pueblo Sólo queda un puñado de cenizas), Pero jamás vi en ella otro destino Que el de una joven triste y pensativa. Tanto fue así que hasta llegué a tratarla Con el celeste nombre de María, Circunstancia que prueba claramente La exactitud central de mi doctrina. Puede ser que una vez la haya besado, ¡Quién es el que no besa a sus amigas! Pero tened presente que lo hice Sin darme cuenta bien de lo que hacía. No negaré, eso sí, que me gustaba Su inmaterial y vaga compañía Que era como el espíritu sereno Que a las flores domésticas anima. Yo no puedo ocultar de ningún modo La importancia que tuvo su sonrisa Ni desvirtuar el favorable influjo Que hasta en las mismas piedras ejercía. Agreguemos, aun, que de la noche Fueron sus ojos fuente fidedigna. Mas, a pesar de todo, es necesario Que comprendan que yo no la quería Sino con ese vago sentimiento Con que a un pariente enfermo se designa. Sin embargo sucede, sin embargo, Lo que a esta fecha aún me maravilla, Ese inaudito y singular ejemplo De morir con mi nombre en las pupilas, Ella, múltiple rosa inmaculada, Ella que era una lámpara legítima. Tiene razón, mucha razón, la gente Que se pasa quejando noche y día De que el mundo traidor en que vivimos Vale menos que rueda detenida: Mucho más honorable es una tumba, Vale más una hoja enmohecida, Nada es verdad, aquí nada perdura, Ni el color del cristal con que se mira. Hoy es un día azul de primavera, Creo que moriré de poesía, De esa famosa joven melancólica No recuerdo ni el nombre que tenía. Sólo sé que pasó por este mundo Como una paloma fugitiva: La olvidé sin quererlo, lentamente, Como todas las cosas de la vida.
De Poemas y antipoemas (Santiago, Nascimento,1954)
Escrito por Paulo Ferraz às 04:57:28
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DOIS
Poxa, fiquei uns dias fora do ar, e eis que já sou cobrado por não estar publicando nada... Entendo que a vida na internet seja assim mesmo, dinâmica, não dá pra ficar parado, tem que produzir, tem que publicar. Andei vendo umas coisas nesses dias, alguns poemas do Nicanor Parra, algumas músicas do Boris Vian, mas não conclui nada, li, ouvi, discuti, mas nada de pôr no papel/tela. Bem, como eu comentei que havia mais um poema do Eich perdido comigo, eis que seguem, a tradução e a paráfrase, na verdade, não sei se devo chamá-la de paráfrase, pois apenas dei uma cor brasileira ao poema, nem precisava. Pena que não tenho o original, assim nem posso saber se errei alguma palavra.
DOIS Ambos sicilianos e as azeitonas negras e verdes, dois tons de vinho, duas pátrias: o dia de ontem o dia de amanhã. Lá fora os amigos passeiam com suas realidades os inimigos com seus acordos.
DOIS (paráfrase de Günther Eich)
Ambos mato-grossenses e os cajus vermelhos e amarelos dois tons de cachaça duas bandeiras: o dia de ontem o dia de amanhã
Lá fora os amigos passeiam com suas realidades os inimigos com seus acordos.
Escrito por Paulo Ferraz às 19:12:35
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EICH
Há muito tempo comprei um livro: Oito séculos de Poesia Alemã, uma edição da Calouste Gulbenkian, que li com muito interesse, a despeito de todos os poemas estarem em alemão, sem traduções para o português infelizmente (lembro-me de um outro, da Ediouro, uma edição de bolso, que trazia traduções, muitas que iam desde Gonçalves Dias aos modernistas), mas que trazia alguns estudos dos períodos e sobre seus principais representantes (a Ana Rüsche deve se lembrar desse livro, pois eu emprestei para ela, no distante ano de 1998, quando ela ainda estava no Porto Seguro). Claro que Goethe (tentei traduzir o "Mailied": Wie herrlich leuchtet/ Mir die Natur! Wie glänzt die Sonne! Wie lacht die Flur! Como magnificamente/ a Natureza me ilumina! Como resplandece o sol! Como gargalha a campina!... sem sucesso...), Schiller, Novalis, Heine, Hölderlin, Stefan George, Rilke, Trakl, Benn, Brecht e Celan já eram meus conhecidos (não tão próximos, diga-se), outros eu acabara de conhecer como Hugo von Hofmannsthal, Christian Morgenstern, Ingerborg Bachmann, Hans Magnus Enzensberger e Günter Eich. Infelizmente, nunca mais estudei uma linha de alemão, continuo apenas com as frases de primeiro ano, aquelas: "eu me chamo fulano", "eu moro na cidade tal", "tenho tantos anos". Todavia, lendo certa vez A verdade da poesia do Michel Hamburger, voltei os olhos novamente para Eich e a poesia do Pós-Guerra, no qual ele citava o conhecidíssimo poema "Inventário", santa ignorância a minha, Batmann, conhecidíssimo? então voltei ao meu velho livro Oito séculos... e lá estava ele, o "Inventur", do qual arrisquei fazer uma tradução, que ficou perdida no meu computador, mas resgatada agora (havia feito outra, chama-se "Zwei" "Dois", do qual perdi o original, fiz então uma paráfrase, irei publicá-la depois). Segue o conhecidíssimo poema (preciso dizer que correções serão mais que aceitas?)
Inventário
Esta é minha boina, este é meu casaco, aqui o meu lenço, na bolsa de linho.
Lata de conservas: meu prato e meu copo, sobre a tampa está meu nome gravado.
Gravado com este precioso prego a salvo comigo de olhos invejosos.
Num saco de pão estão um par de meias e outras coisas, que sem a ninguém trair,
serve de almofada à minha cabeça. O papel no chão entre mim e a Terra.
A mina de grafite é a que mais amo de dia me escreve os versos pensados na noite.
Este é meu diário, esta é minha barraca, esta é minha toalha, esta é minha linha.
Inventur (1945)
Dies ist meine Mütze, Dies ist mein Mantel, Hier mein Rasierzeug Im Beutel aus Leinen.
Konservenbüchse: Mein Teller, mein Becher, Ich hab in das Weißblech, Den Namen geritzt.
Geritzt hier mit diesem Kostbaren Nagel, Den vor begehrlichen Augen ich berge.
Im Brotbeutel sind Ein Paar wollene Socken Und einiges, was ich Niemand verrate.
So dient es als Kissen Nachts meinem Kopf. Die Pappe hier liegt Zwischen mir und der Erde.
Die Bleistiftmine Lieb ich am meisten: Tags schreibt sie mir Verse, Die nachts ich erdacht.
Dies ist mein Notizbuch, Dies ist meine Zeltbahn, Dies ist mein Handtuch, Dies ist mein Zwirn.
Günther Eich (1907 - 1972), nasceu no leste da Alemanhã, em Lebus. Estudou Direito e Sinologia em Leipzig, Berlin e Paris. Foi soldado na Segunda Guerra, tendo sido feito prisioneiro dos americanos, sendo libertado em 1946.
Escrito por Paulo Ferraz às 21:37:45
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